JOVENS "LICENCIADOS, DESEMPREGADOS"
Há tempos, realizaram-se manifestações, em várias cidades do País, com o objectivo de chamarem a atenção para o grande número de jovens 'licenciados, desempregados' (mais de 100.000, segundo consta). Foram manifestações exemplares, de grande civismo, porém, permito-me perguntar: não teria sido preferivel e exigível, que esta jovem geração - 'privilegiada' (pela oportunidade que teve, de preparar, superiormente, o seu futuro !) - se tivesse regido por parâmetros mais ambiciosos ? e, em vez de tantas horas desperdiçadas, nas ruas, musicando inconsequências, não teria sido mais proveitosa, a promoção de palestras, reuniões, seminários, jornadas, fóruns, mesas redondas, onde a problemática do seu 'desemprego', fosse debatida, de forma realista, consequente ?
Esta geração de jovens 'licenciados,desempregados', é uma geração de excelência, constitui uma mais-valia para o País e, tem futuro, o qual passa - inevitável e principalmente - pela sua própria iniciativa, organização, imaginação, espírito empreendedor, esforço, coragem, acção, ousadia, porque, um curso superior, não trás - incorporado - certificado de garantia de empregabilidade.
O nosso País é demasiado pequeno e económicamente frágil, para absorver tão grande produção de jovens 'licenciados', pelo que, há que procurar e reinventar novas soluções, para este fenómeno novo, encarar novas concepções de trabalho/emprego, alargar horizontes, e pensar, cada vez, mais global.
Esta geração que, tão injustamente, se lamenta - pela incerteza do seu futuro laboral - tem todas as possibilidades de não se deixar "morrer na praia", não obstante as dificeis condições económicas que Portugal atravessa. Não se pense que, a escassez e/ou a falta de trabalho/emprego, é um problema exclusivo dos nossos dias, pelo contrário, desde sempre, o ser humano se confrontou com a angustiante luta pela sobrevivência, foi assim com as recentes gerações e, com os nossos antepassados, mais longínquos. O conhecido provérbio "Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé", aplica-se, com toda a propriedade, à problemática dos jovens 'licenciados, desempregados', como quem diz: se o emprego não chega até nós - não 'cruzamos os braços', nem 'enterramos a cabeça na areia' - vamos nós procurá-lo ou inventá-lo, vamos à luta e, não esperamos que venham, de longe, soluções milagrosas.
A propósito de empregos: será em Montalegre, Boticas, Chaves, Cabeceiras, Vieira do Minho, T.Bouro, Murça, Celorico, Vinhais, Izeda, Tabuaço, Meda, Canas de Senhorim, Penamacor, Trancoso, Sabugal, Marvão, Crato, Avis, Monforte, Redondo, Amareleja, Serpa, Vidigueira, Funchal, P.Santo, Porto Moniz, Camara de Lobos, Flores, Terceira, Faial, Graciosa, Praia, S.Vicente, Bissau, Principe, Luanda, Benguela, Maputo, Beira, Macau, Timor, que está a ser preciso um contabilista, arq.paisagista, engº. mecânico, enfermeiro, professor de música, analista, estilista, gestor, constitucionalista, engº. minas, nutricionista, veterinário, projectista, prof. de química, violoncelista, psicólogo, jornalista, engº. informático, ceramista, orçamentista, economista, jurista ?
E, consta que o Brasil vai precisar de 150.000 (cento e cinquenta mil) engenheiros, até 2020 !
FL



